Professor Adérito Vicente entrevistado pelo Expresso sobre o fim do Tratado START
11/03/2026 9:03
No passado dia 3 de fevereiro, o Professor Doutor Adérito Vicente, Docente de Relações Internacionais da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada, no Porto, e Investigador Integrado do CEJEIA, foi entrevistado pelo semanário Expresso a propósito da expiração do Tratado Novo START (Strategic Arms Reduction Treaty – Tratado de Redução de Armas Estratégicas).
No dia 5 de fevereiro de 2026 assinalou-se um momento particularmente relevante para a segurança internacional: a expiração do Novo START, o último tratado bilateral de controlo e redução de armas nucleares estratégicas celebrado entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa.
Durante mais de cinco décadas, acordos desta natureza estabeleceram limites verificáveis aos arsenais nucleares estratégicos das duas principais potências nucleares, contribuindo de forma decisiva para a estabilidade estratégica global. Com o termo do Novo START, deixam de existir limites juridicamente vinculativos e mecanismos formais de inspeção aplicáveis ao número de ogivas e aos respetivos sistemas de lançamento, colocando Washington e Moscovo sem constrangimentos formais nesta matéria.
Segundo o Professor Doutor Adérito Vicente, especialista internacional em políticas de armas nucleares e estudos de dissuasão nuclear, esta alteração estrutural poderá abrir espaço a uma nova corrida aos armamentos, num contexto substancialmente mais complexo, marcado pela expansão acelerada das capacidades nucleares da China e pelo impacto crescente das tecnologias emergentes nos riscos de escalada.
Na entrevista ao Expresso, o docente sublinhou que, apesar das diferenças entre administrações norte-americanas recentes, “continua a haver ceticismo e competição entre os EUA e a Rússia”, acrescentando que, na ausência de “qualquer tratado vinculativo que controle as armas mais perigosas do mundo, isto cria alguma instabilidade”.
O Professor destacou igualmente que o fim do tratado reduz os níveis de transparência estratégica entre as duas potências nucleares, aumentando o risco de mal-entendidos e de erros de cálculo.
Para o Professor Adérito Vicente, a consolidação de uma paisagem nuclear cada vez mais tripolar — ou mesmo multipolar — exige um novo enquadramento estratégico capaz de responder às transformações estruturais em curso no sistema internacional. Ignorar estas dinâmicas, alerta, poderá traduzir-se num agravamento da instabilidade global num contexto já profundamente volátil.
A entrevista, escrita pela jornalista Salomé Fernandes, foi publicada online no dia 3 de fevereiro e na edição impressa do semanário Expresso de 6 de fevereiro de 2026, na página 26.

